A voz mais gloriosa do século

A coleção ‘The Callas Edition’ traz gravações da diva americana de ascendência grega, em ensaios e shows realizados entre 1957 e 1959

 

A americana de ascendência grega Cecilia Maria Anna Sophia Kalogeroupoulou foi a mais gloriosa presença vocal da ópera nesta segunda metade do século 20. Isso sob o nome inesquecível de Maria Callas. Em setembro último, fez 23 anos que ela faleceu, sozinha, em seu elegante apartamento parisiense. Aos 43 anos, morreu abandonada pela própria voz, que estragara em arriscadas aventuras, e pelo amante, o grego Aristoteles Onassis, que preteriu-a em favor de Jackie, a viúva do presidente Kennedy.

Se estivesse viva, Maria Callas teria hoje 76 anos. É claro que ela não cantaria mais. Em contrapartida, poderia ter-se dado conta de que seu nome, há bastante tempo, transformou-se no de uma entidade mítica. E também saberia que o seu lado atriz e a sua presença vocal tão peculiar jamais encontrariam uma substituta à sua altura.

Há três anos, a EMI-Odeon lançou no Brasil uma edição “oficial” das óperas registradas pela Diva para essa companhia. Agora chegou a vez da Movieplay nos oferecer um álbum de três CDs, intitulado indevidamente The Callas Edition, que é endereçado apenas aos adoradores dessa cantora, bastante numerosos no País.

No primeiro CD, Maria Callas é flagrada em pleno ensaio que antecedeu à sua apresentação em Dallas, no Texas, na inauguração do State Fair Music Hall, em novembro de 1957. Mesmo com as interrupções e falhas, é possível admirar a sua espontaneidade em fragmentos operísticos assinados por Mozart, Bellini, Donizetti e Verdi.

O segundo CD reproduz a noite de gala, à qual esteve presente todo le grand monde oficiel francês, realizada no Palais Garnier em 19 de dezembro de 1958. Além de páginas retiradas de espetáculos de Bellini, Verdi e Rossini, consta do disco a eletrizante gravação do segundo ato da Tosca de Puccini, na qual ela atuou espetacularmente ao lado de Tito Gobbi. (Existe um registro visual dessa arrepiante performance, como sabem todos os callasianos de carteirinha).

O terceiro CD contém o essencial do recital que a divina Maria deu em Hamburgo, na Alemanha, em 15 de maio de 1959. Além de Verdi, Rossini e Bellini, aí ela também canta uma bela ária de La Vestale de Spontini.

Como diria a grande transviada Violeta, presente no CD de Dallas, “É strano…”. Não foi possível localizar a prometida entrevista feita em Nova York, em 1958.


  • Publicação: Jornal da Tarde (São Paulo / SP – Brasil)
  • Data: Sexta-feira, 03 novembro 2000
  • Título: A voz mais gloriosa do século

 

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