Retrato sonoro colorido do mundo eslavo

Os principais poemas sinfônicos e aberturas do compositor tcheco Antonin Dvorák (1841 – 1904) – mais as suas duas séries de ‘Danças Eslavas’ e as ‘Variações Sinfônicas o´. 78’ – encontram-se bravamente defendidas neste álbum triplo de CDs pela Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera, Alemanha, sob a regência de Rafael Kubelik. (Esse é um lançamento nacional da etiqueta Deutsche Grammophon. As gravações, feitas durante a década de 1970, continuam ainda bem audíveis).

Fundada quase 20 anos antes por Bedrich Smetana, a escola musical nacionalista da antiga Boêmia encontrou em Antonin Dvorák o seu segundo e mais notável defensor romântico. Muito mais cosmopolita que o colega mais velho, ele logo passou a ser conhecido fora das fronteiras do mundo eslavo – primeiro na Europa, depois nos Estados Unidos, onde passou uma longa temporada. Isso, sobretudo graças ao impulso inicial recebido por ele de um alemão de Hamburgo, Johannes Brahms, que se apaixonou por sua música, recomendando-a ao seu próprio editor.

Com as duas séries de ‘Danças Eslavas, op. 46 e 72’, que começaram a sair no final da década de 1870 em duas versões – para piano a quatro mãos e para orquestra-, Dvorák tornou-se uma autêntica celebridade. As cores vivas dos timbres instrumentais, o tom levemente acidulado e exótico das harmonias, a rítmica forte e sempre muito buliçosa e as melodias que, realmente, só podem mesmo ser chamadas de inesquecíveis, foram os condimentos do seu sucesso imediato. E esses elementos encontram-se todos nessa antologia da sua produção orquestral, que naturalmente exclui as nove sinfonias.


  • Publicação: Jornal da Tarde (São Paulo / SP – Brasil)
  • Data: Sexta-feira, 23 de maio de 2003
  • Título: Retrato sonoro colorido do mundo eslavo

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