A linguagem sonora do nosso tempo – I

A música mais criativa da área “erudita” que ainda está sendo feita internacionalmente deve muito aquela geração que, logo depois da Segunda Guerra mundial, assumiu a tarefa, por necessidade, de dar novos caminhos à linguagem sonora. Faziam parte dela entre outros, Pierre Boulez, Luigi Nono, Bruno Maderna e Karlheinz Stockhausen. Juntaram-se depois a esses nomes os de Henri Pousseur, Luciano Berio, Iannis Xenakis, André Boucourechliev, Gilbert Amy, Mauricio Kagel, Sylvano Bussotti, Krystof Penderecki, Gyorgy Ligeti, George Crumb e muitos outros talentos originais.

O panorama da música surgida na Europa e Américas após 1950 é amplo, contraditório, instigante. Houve o momento do Serialismo Integral (onde os compositores controlavam cada um dos detalhes de uma partitura) e do Acaso (em que os músicos davam ao intérprete grande margem de liberdade na reconstrução de suas obras). Houve o tempo da música eletrônica – feita a partir de sons conseguidos em laboratórios eletroacústicos – e o da música concreta – construída com elementos retirados do cotidiano.

Isso tudo aconteceu nos anos 50. A década de 60, por sua vez, presenciou o aparecimento de novas técnicas de improvisação coletiva, de música feita com o auxilio de computadores, da música eletroacústica feita “ao vivo”, do novo teatro musical, dos espetáculos “multimídia”, dos “happenings” e da antiarte. Hoje, ao lado de todas essas tendências que vivem em um fértil confronto, ainda há espaço e lugar para o escorrer micro cronométrico da “Minimal Music”, para as colagens hiper-realistas feitas com o auxilio de microfones e gravadores magnéticos e, até mesmo, para uma espécie de “volta à tonalidade”, presente em muitos compositores, que, no início dos anos 50, foram os primeiros a abandoná-la.

No Brasil ainda lançam-se poucos discos de música contemporânea. Os 12 relacionados abaixo foram praticamente os únicos em sua linha distribuídos nos últimos oito anos.

 

I – Avant Garde Piano (Candide/Padrão)

Um belo recital do competente pianista David Burge, que fornece um panorama “europeu” da música escrita para piano compreendida em 20 anos de febril atividade. Aí estão: “Primeira Sonata” de Boulez, de 1946, “Quaderno Musicale di Annalibera” de Luigi Dellapiccola, de 1952, “Peça para Piano no. 8” de Stockhausen, de 1954, “Sechs Vermessene” de Ernet Krenek, de 1958 e “Sequenza IV” de Luciano Berio, de 1966.


  • Publicação: Jornal da Tarde (São Paulo / SP – Brasil)
  • Data: Quinta-feira, 9 de novembro de 1978
  • Título: A linguagem sonora do nosso tempo – I

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