Os caminhos da ópera, em busca do delírio das multidões – VIII

A ópera é um gênero de espetáculo nascido na Itália em fins do século XVI, é verdade. No entanto, é igualmente verdade que seria apenas durante o século XIX que ela assumiria essa feição muito especial – simbiose de bel canto e de libretos facilmente assimiláveis, além de envolventes e/ou lacrimejantes – que, basicamente sem sofrer grandes mudanças, continua levando até hoje, multidões ao teatro para vê-la.
Iniciado com fartura no século anterior, o gosto italiano pelo canto esmerilhado, pirotécnico e emocionante entrou no século XIX através do humor ainda algo clássico de Rossini. Em meio aos truculentos torvelinhos melódicos e a uma rítmica cheia de agitação, ele já apontava para as novas formas de expressão do romantismo que, aos 36 anos, resolveu não seguir, recolhendo-se a um gastronômico silêncio.
Ao mesmo tempo em que um público ardente e fervoroso crescia velozmente, surgiam intérpretes capazes de leva-lo ao delírio como a Malibran, a Pasta, a Grisi, a Falcon e tantas outras. Para essas vozes privilegiadas, Bellini e Donizetti – desempenhando papéis parecidos aos de Liszt e Paganini para os seus instrumentos, respectivamente o piano e o violino, – compunham suas intrincadas tagarelices que só a muito custo conseguiram um ar mais sério, quando havia muita tragédia em cena. Aliás, a ópera italiana romântica parece mesmo ter evoluído das acrobacias vocais para o amargor (tão musical) de Verdi, julgado por muitos como o mais completo entre todos os compositores peninsulares que se dedicaram ao teatro lírico.
As gravações indicadas são as disponíveis atualmente em edições nacionais (15/7/1978); curiosamente, algumas delas estão entre as melhores versões realizadas dessas óperas até o momento…. Mas quando não foi possível contar com discos prensados aqui e se julgou indispensável apontar para esta ou aquela obra, foi necessário recorrer aos caríssimos itens importados.

Discoteca Básica:
La Traviata – Giuseppe Verdi
Outro grande sucesso de Verdi em um álbum que a crítica internacional coloca entre os melhores disponíveis em gravações modernas, com Pilar Lorengar, Mirella Fiorentini, Virgilio Carbonari, Giacomo Aragall e Dietrich Fischer-Dieskau com a Orquestra e Coro da Ópera Alemã, Berlin, sob a regência de Lorin Maazel.

Giuseppe Verdi (1813 – 1901)
La traviata
Orchester der Deutschen Oper Berlin, Lorin Maazel

Act 1
1. Prelude 3:36
Orchester der Deutschen Oper Berlin, Lorin Maazel
2. “Dell’invito trascorsa è già l’ora” 4:20
Pilar Lorengar, Stefania Malagu, Silvio Maionica, Pier Francesco Poli, Giacomo Aragall, Virgilio Carbonari.
3. “Libiamo ne’lieti calici (Brindisi) 2:49
Giacomo Aragall, Pilar Lorengar.
4. “Che è ciò?” 2:21
Pilar Lorengar, Giacomo Aragall.
5. “Un dì felice, eterea…Si ridesta in ciel l’aurora” 6:08
Giacomo Aragall, Pilar Lorengar, Pier Francesco Poli.
6. “E strano!” – “Ah, fors’è lui” 3:54
Pilar Lorengar.
7. “Follie! Delirio vano è questo!” – “Sempre libera” 4:41
Pilar Lorengar, Giacomo Aragall.
Act 2
8. “Lunge da lei” – “De’ miei bollenti spiriti” 1:43
Giacomo Aragall.
9. “De’ miei bollenti spiriti…Annina, donde vieni? 2:36
Giacomo Aragall, Mirella Fiorentini.
10. “O mio rimorso!…Alfredo? 4:44
Pilar Lorengar, Giacomo Aragall, Mirella Fiorentini, Alfonso Losa, Dietrich Fischer-Dieskau,
11. “Pura, siccome un angelo…Un dì, quando le veneri” 6:30
Dietrich Fischer-Dieskau, Pilar Lorengar.
12. “Dite alla giovine…Non amarlo ditegli” 9:00
Pilar Lorengar, Dietrich Fischer-Dieskau.
13. “Dammi tu forza, o ciel!…Ah, vive sol quel core” 5:54
Pilar Lorengar, Mirella Fiorentini, Giacomo Aragall, Alfonso Losa, Virgilio Carbonari, Dietrich Fischer-Dieskau.
14. “Di Provenza il mar…Né risponde d’un padre…” 5:17
15. “No, non udrai rimproveri” 1:57
Dietrich Fischer-Dieskau, Giacomo Aragall,
16. “Avrem lieta di maschere la notte…Di Madridi” 6:35
Stefania Malagu, Silvio Maionica, Giovanni Foiani, Pier Francesco Poli.
17. “Alfredo! Voi!…Or tutti a me…Ogni suo aver” 7:31
Giacomo Aragall, Stefania Malagu, Pilar Lorengar, Virgilio Carbonari, Pier Francesco Poli, Alfonso Losa.
18. “Di sprezzo degno…Alfredo, Alfredo, di questo core” 5:29
Dietrich Fischer-Dieskau, Giacomo Aragall, Stefania Malagu, Pier Francesco Poli, Giovanni Foiani, Silvio Maionica, Virgilio Carbonari, Pilar Lorengar.
Act 3
19. Prelude. “Annina? Comandate? 7:21
Pilar Lorengar, Mirella Fiorentini, Giovanni Foiani.
20. “Tenesta la promessa” – “Attendo, né a me giungon mai” – “Addio del passato” 4:10
Pilar Lorengar.
21. “Largo a quadrupede” 0:53
Chor der Deutschen Oper Berlin, Orchester der Deutschen Oper Berlin, Lorin Maazel
22. “Signora…” “Che t’accade?…Parigi, o cara” 1:41
Mirella Fiorentini, Pilar Lorengar, Giacomo Aragall.
23. Parigi, o cara…Ah! Gran Dio! 7:16
Giacomo Aragall, Pilar Lorengar, Orchester der Deutschen Oper Berlin, Lorin Maazel
24. Ah, Violetta!…Se una pudica vergine 5:45
Dietrich Fischer-Dieskau, Pilar Lorengar, Giacomo Aragall, Mirella Fiorentini, Giovanni Foiani.


  •  Publicação: Jornal da Tarde (São Paulo / SP – Brasil)
  • Data:  Quinta-feira, 15 de junho de 1978
  • Título: Os caminhos da ópera, em busca do delírio das multidões – VIII

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